sexta-feira, 24 de maio de 2013

Crônica - O Sabor da Vida no Campo - Chronic Taste of Life in the Field




O  Sabor da Vida no Campo

Moro em um sítio, no interior da minha cidade. Apenas 2,5 Km me separam da vida urbana. Minha casa é humilde e vivencio a realidade de um trabalhador que sobrevive da terra.
A roça é formada por vários tipos de vida, vegetal e animal. Aqui temos árvores frutíferas com laranjeiras, bananeiras, abacateiros, limoeiros... Temos os cachorros, o gado, os passarinhos, as formigas, os porcos. Há também o pasto que serve de alimento aos bois, a lagoa com seus peixes, que dão movimento à água e ao local, o campinho de futebol e muitas outras coisas. A riqueza natural é exuberante, de encher os olhos!
No mês de maio ocorre na região a safra do café. Meu pai, então aproveita para tirar férias do trabalho na cidade para colher os grãos que amadurecem no cafezal. Todos lá de casa se envolvem com o trabalho na lavoura. Esta é uma época cansativa, pois o trabalho é duro, cada gota de suor que cai no chão demonstra o esforço de cada um.
O trabalho começa bem cedo, não há espaço para moleza! Roupa fechada no corpo, sapatos velhos nos pés, luvas surradas nas mãos calejadas e muito amor no coração: esses são os ingredientes essenciais para mais um dia de trabalho.
Durante a labuta, temos a companhia constante das nossas queridas cachorras: July, Mily e Ti Nenen. Vamos colhendo o café e dando atenção a elas, que pulam de alegria a cada carinho que fazemos em seus úmidos focinhos.
Ficar no meio do mato colhendo café é muito bom, aproveitamos também estes momentos para pensar um pouco mais na vida. Quando estamos lá, o tempo passa muito depressa, é só piscar os olhos e os minutos já voaram!
Quando bate aquela fome, paramos um pouco o trabalho para recompor as energias com o almoço preparado pela minha mãe. Ver aquela comida dentro do pote de plástico me faz sentir algo diferente. O feijão e a farinha juntos, o arroz branquinho juntamente com o pedaço de carne e o ovo frito por cima tem um sabor especial.
Comer no meio do mato, com a sinfonia dos canários, sem a companhia da TV, respirando ar puro é uma experiência maravilhosa, muito diferente dos almoços dentro de casa, quando comemos prestando atenção à televisão e nem notamos o que engolimos.
Depois de breve momento de relaxamento é hora de voltar ao trabalho. Pego a peneira, coloco na cintura, amarro para ficar bem firme, calço as luvas e me direciono a mais um pé de café. Escolho um galho e abaixo-o at-é a altura das minhas mãos, deslizo os dedos nos ramos, de dentro para fora, puxando todos os grãos vermelhinhos para dentro da peneira, infelizmente alguns sempre teimam em cair no chão.
Ao final da tarde, os sacos já estão cheios de grãos frescos de café e prontos para serem transportados pela carroça para o alto do morro, onde serão espalhados sobre uma grande pedra plana para secarem com o calor do sol. Em alguns dias, os grãos que antes eram vermelhos e verdes, secarão, se tornando bem escuros.
Para ter certeza de que estão no ponto certo, devemos balançar os grãos para verificar se estão soltos das casas. Feito o teste e constatado o ponto correto de secagem é só ensacá-los para enviá-los para a pilagem, quando se tornarão matéria-prima para o café que tomamos todos os dias pela manhã.
Ao final do período de colheita de café estamos exaustos, mas nada nos faz deixar de lado a união da família trabalhadora e o espírito de sempre ajudarmo-nos uns aos outros.





Veja Também estes Videos
         

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...